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Diabetes Gestacional e o risco futuro de diabetes tipo 2

Diabetes Gestacional e o risco futuro de diabetes tipo 2

DIABETES GESTACIONAL E O RISCO FUTURO DE DIABETES TIPO 2

O histórico de diabetes gestacional (DMG) possuem risco aumentado para o aparecimento de diabetes tipo 2 após o parto, em média um risco de 20-40% em um período de 10 a 20 anos. Entretanto, o tempo de progressão para a doença pode diferir individualmente.

Durante a gestação algumas alterações hormonais podem favorecer o aparecimento do diabetes. A placenta é uma fonte importante de hormônios que reduzem a ação da insulina. O pâncreas materno consequentemente aumenta a produção de insulina para compensar este quadro de resistência a sua ação. Em algumas mulheres, entretanto, os níveis de insulina não são suficientes para suprir a demanda, e assim acabam por desenvolver um quadro de diabetes gestacional. Essas alterações geralmente normalizam após o parto, mas em alguns casos podem reaparecer durante a vida da mulher.

A obesidade é um fator de risco importante, tanto para o aparecimento precoce e tardio de diabetes após o parto. Por isso toda mulher que engravida acima do peso ou ganha muito peso durante a gestação deve ser encorajada às mudanças de estilo de vida, enfatizando a perda de peso.

Outros fatores de risco para o aparecimento de DM2 após o parto são: inicio precoce do diabetes na gestação (antes de 24 semanas), uso de altas doses de insulina durante a gestação, ganho de peso excessivo durante a gestação e histórico familiar de diabetes.

A reclassificação do status glicêmico materno deve ser realizada em seis semanas após o parto, com novo teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Mulheres com glicemia de jejum alterada ou intolerância à glicose, devem ser retestadas para diabetes anualmente. Estas pacientes devem receber orientações sobre mudanças de estilo de vida e devem ser colocadas em um programa de exercícios individualizado, devido ao alto risco de evolução para o diabetes tipo 2.

O diagnóstico de DMG deve suscitar intervenções a longo prazo, com mudanças de estilo de vida e realização de exames diagnósticos freqüentes, para minimizar o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 ou para que o seu diagnóstico seja realizado o mais precocemente possível. Estudos demonstram que o aleitamento materno também pode reduzir o risco de diabetes permanente após o parto, devendo-se por mais este motivo sempre encorajar a sua prática. Em alguns casos específicos podem ser utilizados medicamentos que melhoram a sensibilidade à ação da insulina.

 

Referências Bibliográficas:

1. Verier Mine O.  Outcomes in women with a history of gestational diabetes. Screening and prevention of type 2 diabetes: Literature Review. Diabetes Metab, 2010 Dec; 36 (6): 595-616.

2. Ferrara A, Ehrlich SF. Strategies for diabetes prevention before and after pregnancy in women with GDM. Curr Diabetes Rev, 2011 Mar; 7(2): 75-83.

 

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Dra. Josiane Cristine Melchioretto Detsch

Endocrinologia e Metabologia

CRM 22.639

www.endocrinocuritiba.com.br